sexta-feira, 4 de março de 2016





A LEVEZA NO PROCESSO DE LUTO








                  "Para compensar a dor humana, o céu povidenciou dar ao homem três grandes dons: o sonho, o sorriso e a esperança". 
Emanuel Kant



Quando nosso filho mais velho morreu, (...) houve muitos outros que sofreram o mesmo tipo de perda. A gripe espanhola veio através das planícies do norte como um fogo de pradaria. Ela atingiu a todos (...).Mas todos nós nos ajudamos mutuamente. Enterramos os nossos mortos e choramos juntos. Nossos pais e avós nos disseram pra viver cada dia e não nos preocuparmos com o amanhã: o ontem não pode ser mudado. Dessa maneira, nós procurávamos viver um dia por vez, e cada dia era um passo em direção ao momento em que conseguiríamos pensar em nosso filho sem chorar. Sempre sentiremos tristeza, mas estamos mais fortes em relação a isso. (Joseph Marshall - Keep Going - Uma Contagiante história de Perseverança).

Viver um dia de cada vez, tendo a esperança de que chegará o dia em que a morte da pessoa amada será lembrada sem o peso do choro dos primeiros dias, certamente é uma experiência de vida onde há espaço para o sonho e para o sorriso. E esse movimento de fortalecimento diário proporciona leveza ao processo de luto. O ontem não pode ser mudado, portanto não cabe a preocupação com o amanhã, cabe sim viver o processo do luto comparando-o com o peso de um elefante e incorporando a este "pesar" a leveza de belíssimas asas de borboleta, que transmutam esta dor. 

Um abraço carinhoso a todos.


quinta-feira, 16 de julho de 2015

           

O Trem da Partida é o mesmo da Chegada



Alguém partiu. Esta sensação nos envolve quase sem nos deixar respirar. Já não está ao nosso lado. Não importa se já sabíamos disso havia meses ou se sua partida foi desesperadamente repentina...não podemos compreender que já não esteja conosco. Não podemos aceitar que essa pessoa que tanto amávamos e que ainda amamos - porque o amor não se foi com ela - tenha nos deixado...
Tinha tanta coisa para se dizer ainda, tanto para fazer...Se soubéssemos antes; se tivéssemos podido...Não teríamos feito..Esta vivência do irremediável faz com que a dor que nos atravessa a alma seja profunda, infinita, que nos machuque como uma enorme ferida física...

(Se Você Perdeu Alguém que Amava - Edição de Lidia María Riba)



Não estamos prontos para a partida, embora aquela música de Milton Nascimento - Encontros e Despedidas,.nos faça pensar que a hora da partida é a mesma da chegada...."a hora do encontro é também despedida....". Não temos o total entendimento deste rico bordado tecido pela partida e pela chegada e é ele que define nossa vida, vida e morte se entrelaçam, porque viver a morte é viver a vida!!! Algumas pessoas entendem que esta vida é apenas uma passagem, outras que a vida simplesmente acaba com a morte e muitos simplesmente vivem sem a noção exata da finitude, da existência de dois pontos não necessariamente lineares, mas constituídos de uma chegada e uma partida. No momento em que alguém parte refletimos por segundos sobre nossa partida, sobre a partida do outro, do que poderíamos ter feito, se fosse diferente, se pudesse ter sido desta maneira.....
Esta vivência do irremediável, como coloca o texto acima, certamente nos inunda de dor, pois aparentemente nada mais há para fazer! aparentemente.......no entanto há uma uma possibilidade intrínseca nessa relação partida e chegada - chegada e partida: há a possibilidade de novos olhares acerca da vida, do tempo vivido, da qualidade do que foi e está sendo vivido. E o amor que fica? ao amor cabe dar um novo lugar emocional à relação vivida, é um reaprender a viver!E como diz a linda letra de Milton, são só dois lados da mesma viagem....

"São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida..."

(Encontros e Despedidas - Milton Nascimento)

quinta-feira, 21 de maio de 2015





Continuando a Vida - Como se Reposicionar Emocionalmente em relação a Pessoa que Morreu



IV TAREFA DO LUTO



"Ninguém esquece as lembranças de uma relação significativa"





"A disposição da pessoa que ficou viva para entrar em novos relacionamentos depende não de "desistir" do cônjuge falecido, mas de encontrar um lugar adequado para o cônjuge na sua vida psicológica - um local que é importante, mas que deixa espaço para outros" (Shuchter & Zisook, 1986, p. 117). A quarta tarefa do luto está diretamente ligada ao apego. Quando a pessoa enlutada permite que certos comportamentos e falas relacionadas à pessoa falecida, já não têm a mesma necessidade emocional e a representação da pessoa querida que morreu está presente em sua vida de maneira serena e tranquila, sem as angústias maiores do período mais intenso do luto, podemos dizer que a pessoa enlutada encontrou um lugar para quem partiu. Agora ela tem condições de se reposicionar emocionalmente em relação a quem morreu.
Pais enlutados, muitas vezes, têm dificuldade em relocalizar emocionalmente o filho ou a filha que morreu. A tarefa para pais enlutados é continuar a estar em contato com os pensamentos e as lembranças do filho ou filha, porém fazendo isso de forma que permita a eles continuar suas vidas depois dessa perda.
Eis o relato de uma mãe: "Apenas recentemente comecei a observar coisas na vida que ainda estão acessíveis a mim. Você sabe, coisas que me deem prazer. Eu sei que eu vou continuar meu luto por Robbie pelo resto da minha vida e que vou manter sua memória viva. Mas a vida continua, e quer queira, quer não, eu sou parte dela" (Alexy, 1982, p.503).
O melhor movimento para representar a dificuldade para realizar esta tarefa é não amar. Algumas pessoas acham a perda tão dolorosa que fazem um pacto com elas mesmas de nunca mais amar alguém. O apego à perda e tudo que suscitou, impede que a pessoa avance o processo de luto e mais tarde percebe que sua vida, de alguma forma, parou no momento em que a perda ocorreu. Abrir espaço para a vida e para amar outras pessoas e a si mesmo não significa que você deixou de amar a pessoa que morreu, mas que encontrou um lugar emocional para ela. Essa linda e árdua tarefa também exige a elaboração e investigação do grau de autoestima por parte da pessoa enlutada. O exercício do autoconhecimento, não duvidar da capacidade de superação, de ressignificação da dor e da perda, respeitar a si e este momento frágil em sua vida, são elementos essenciais ligados à autoestima e que auxiliam no enfrentamento deste período delicado. Ao encontrarmos um lugar aconchegante, agradável e saudável para esse ser querido, nos libertamos do apego excessivo e nos autorizamos continuar a caminhada.


Referência; Introdução ao Estudo do Luto

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015




As Tarefas do Luto - Ajustar-se a um Ambiente onde está Faltando a pessoa que Morreu








"Dê-se a permissão para estar triste e infeliz, para chorar, para estar deprimido por um tempo. Esqueça as proibições de chorar, de sentir-se abatido. Busque as pessoas sábias que possam entender sua situação. Com o apoio necessário, se você expressar seus sentimentos íntimos, estará começando a superar sua tristeza"Jean Monbourquette



A terceira tarefa do luto consiste em aprender a viver sem a presença da pessoa que partiu e principalmente, desempenhar papéis que eram destinados a esta pessoa. Esta adaptação à nova realidade reque ajustes a um novo ambiente e está diretamente ligada ao tipo de relação vivida com esta pessoa, quer seja, marido, filha, amiga, etc. 
Muitas pessoas que ficam, os sobreviventes, se ressentem do fato de terem que desenvolver novas tarefas e de desempenhar papéis que antes eram realizados por quem partiu. Redefinir a perda, assumindo tarefas e papéis que eram da pessoa que morreu, atribuindo a essa mudança um possível benefício para a pessoa que ficou, indica a execução completa da terceira tarefa do luto, mas nem sempre isso é possível, pois o momento do luto nos coloca diante de nossas fragilidades e as vulnerabilidades veem à superfície nesse período.
Portanto, o luto pode levar a uma intensa regressão na qual a pessoa enlutada percebe a si mesma como desamparada, inadequada, incapaz, infantil ou com crise de personalidade (Horowitz et al.,1908) e as tentativas de assumir os papéis da pessoa que morreu podem não acontecer de forma efetiva, desencadeando o sentimento de baixa autoestima.Nesse período a pessoa atribui este sentimento de inadequação à má sorte ou ao destino, menosprezando a sua própria força e habilidade (Goalder, 1985). No entanto, com o caminhar diário, revestido de muita paciência e perseverança, as imagens negativas cedem lugar a outras mais positivas, assim é possível o aprendizado de novas formas de lidar com o mundo (Shuchter & Zisook, 1986).
Nesse processo de ajustar-se ao ambiente a pessoa enlutada pode sentir que perdeu a direção na vida e até a perda da identidade, como no caso dos relacionamentos em que se perde o sentimento de individualidade. Nesses casos, a perda por morte pode desafiar os valores fundamentais da vida, bem como as crenças que são influenciadas por nossos familiares, iguais, pela educação, pela religião e envolve as experiências de vida. Nos casos de mortes súbitas ou precoces, a pessoa que ficou procura significados na perda, sua vida muda para dar sentido a esta perda e para obter o controle de sua vida. Nessa fase do luto há um confronto direto com inúmeras perguntas a respeito da morte do ente querido e, muitas vezes, tem que se aprender a viver sem as respostas.
O principal entrave desta tarefa é não se adaptar à perda. As pessoas trabalham contra elas mesmas promovendo seu próprio desamparo ao não desenvolverem habilidades das quais necessitam, muitas se retiram do mundo e não enfrentam as exigências do ambiente. Bowlby (1980, p.139) afirma que, "dependendo da forma como ela completa esta tarefa, influenciará o resultado do seu luto, tanto num progresso em direção ao reconhecimento da modificação das circunstâncias, uma revisão de seus modelos de representação e uma redefinição de seus objetivos na vida, ou ainda um estado de crescimento suspenso, no qual ele é mantido prisioneiro de um dilema que ele não consegue solucionar".
Esta tarefa do luto é crucial na vida do enlutado, coloca-o diante de questionamentos e de enfrentamentos diários, levando à revisão de valores e convidando a mudanças pessoais, às vezes bem profundas, exigidas pelo ambiente e pela nova realidade posta.Podemos denominar esta fase como de transição, onde o desapego se faz necessário e a descoberta de um novo lugar para pessoa que morreu em nossas vidas,se mostra no horizonte.

Fonte: Introdução ao Estudo do Luto

terça-feira, 14 de outubro de 2014



As Tarefas do Luto - Elaborar a Dor da Perda








"Se é necessário para a pessoa enlutada passar pela dor do luto para que este se resolva, então pode-se esperar que qualquer coisa que continuamente permita que a pessoa evita ou suprima esta dor, vá prolongar o tempo do luto" (Parkes, 1972, p.173)


Esta tarefa do luto consiste em viver a dor da ausência da pessoa querida que morreu. A dor causada pela perda é subjetiva, particular, pertence a cada pessoa, sentimos e vivenciamos a dor de diferentes maneiras e em conformidade com nossa história de perdas e o grau da relação com a pessoa que morreu.

Infelizmente nossa sociedade não entende o processo de morte como algo natural e inerente ao ser humano, muitas vezes a dor e sua manifestação são rechaçadas, a dor é interpretada como um sentimento de autopiedade por parte de quem está sofrendo.

A negação desta etapa do luto é não sentir, são evitados pensamentos dolorosos. Situações que colocam a pessoa diante da realidade da perda também são evitadas. Algumas pessoas que têm dificuldade em acolher sua dor tentam encontrar uma cura geográfica, elas viajam de um local para outro para encontrar algum alívio de suas emoções, sem êxito.

Caso essa tarefa não seja adequadamente vivida, certamente haverá necessidade em elaborar a dor da perda da pessoa querida em terapia, um processo bem mais delicado e complexo que exige muito comprometimento da pessoa que busca a terapia, pois muitas vezes esse quadro de embotamento da dor pode evoluir para a depressão.

Viver o período de luto na sua plenitude, sem medo, sem  receio da cobrança por melhoras imediatas, impostas pela sociedade e ter o apoio das relações familiares e dos amigos mais próximos é essencial para elaborar a dor da perda!

segunda-feira, 21 de julho de 2014





TAREFAS DO LUTO
 
Aceitar a realidade da Perda
 
(Complicações desta tarefa devido à negação)
 
 
 
 
 
 
Aceitar a perda por morte de um ente querido é uma tarefa de desapego, que envolve resiliência, paciência e tolerância. Primeiramente da pessoa enlutada para com ela mesma e para com o fato da morte ocorrida. O oposto de aceitar a realidade da perda é não acreditar e assim entrar num processo de negação. Algumas pessoas paralisam na primeira tarefa do luto, pois se recusam a acreditar que a morte é real. A negação da perda pode ocorrer em muitos níveis e tomar várias formas, frequentemente acontece a negação dos fatos e o significado da perda no que diz respeito a sua irreversibilidade (Dorpat, 1973).
 
A Negação dos Fatos: Pode se apresentar como uma leve distorção, até uma desilusão completa. Há parceiros que mantém intactos os pertences de seu companheiro ou companheira após a sua morte; pais que perdem seu filho e que deixam o quarto deste filho como estava antes da sua morte são exemplos de negação se o ato de preservar objetos e ambientes se estender por anos.
 
 
Negar o Significado da Perda: Nesse caso a morte pode ser vista como tendo menos significado do que tem na realidade. As expressões mais comuns são: ele não era um bom pai, nós não éramos próximos, ou eu não sinto sua falta. Remover tudo o que lembra ou liga à pessoa morta é o oposto ao apego excessivo visto na negação dos fatos. É como se os que sobrevivem protegessem a si mesmos pela ausência de qualquer objeto ou circunstância que poderia coloca-lo face a face com a realidade da perda. Nesse caso podemos concluir que nem o apego excessivo e tão pouco a indiferença extrema são escolhas funcionais para o processo de luto.
 
Esquecimento Seletivo: Há pessoas que bloqueiam toda e qualquer imagem da pessoa morta em sua mente, no entanto sentem a presença da pessoa querida que morreu, muitas vezes anos depois e em momentos especiais como formatura, casamento, etc.
 
Negação de que a Morte é Irreversível: Algumas pessoas têm dificuldade em aceitar que a morte é irreversível, muitas vezes entram num processo de regressão à infância, onde até os seis anos de idade aproximadamente, as pessoas morrem e depois voltam a viver como nos desenhos animados. Há casos onde a pessoa fica repetindo para si frases diárias, como: eu não quero que vocês morram. Em terapia será necessário trabalhar a questão da pessoa encarar o fato de que as pessoas morrem e não voltam mais.
 
 
A negação e o Espiritualismo: O desejo de se reunir à pessoa falecida é um sentimento normal, principalmente nos primeiros dias e semanas após a perda, no entanto, o desejo permanente desta reunião não é normal. Parkes (1972) afirma que o espiritualismo ajuda o enlutados na sua busca da pessoa falecida (fase do luto), porém poucas permanecem como frequentadoras regulares desses encontros.
 
Sempre buscamos meios para lidar com a dor da perda, mas nem sempre fazemos a melhor escolha. Na fase de luto é importante que os familiares se apoiem mutuamente, que os amigos e demais vínculos sociais tenham paciência e possam de alguma maneira apoiar e acolher a pessoa que está enlutada. Legitimar esse processo é autorizar-se sentir dor, saudade e tristeza profunda nesse período, é caminhar de maneira natural e em sintonia com seu corpo, mente, espírito e com as tarefas do luto. No período de negação que se estende por muito tempo, isso não é possível  e indica-se a orientação em psicoterapia.
 
 
"Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória que eu adoraria inacessíveis, tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, embora continue me empenhando para conseguir".
Ana Jácomo
 
 
Fonte: Introdução ao Estudo de Luto
 
 
 

 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

 
 
 
AS TAREFAS DO LUTO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A morte e a perda sempre requerem um investimento de energia que transcende os limites psicológicos e físicos da nossa rotina diária. À semelhança de um ferimento ou queimadura que causa um trauma fisiológico, a perda de uma pessoa querida também causa um trauma psicológico,(Engel,1961). Como o processo de cura de um ferimento físico requer cuidados contínuos, o processo de luto também solicita cuidados e até aprendizados para essa nova e dura realidade. Muitas vezes essa forma de entender e caminhar na vida, encontra algumas dificuldades e o processo do luto fica comprometido, havendo a necessidade de uma atenção maior com participação de profissionais como psicólogo e psiquiatra. Por isso viver o luto é necessário e implica em realizar algumas tarefas para que o resultado dessa caminhada seja funcional, equilibrado. Viver o luto de forma plena e benéfica resulta em: Tarefa 1- ACEITAR A REALIDADE DA PERDA; Tarefa 2- ELABORAR A DOR DA PERDA; Tarefa 3- AJUSTAR-SE A UM AMBIENTE ONDE ESTÁ FALTANDO A PESSOA QUE FALECEU; Tarefa 4- REPOSICIONAR EM TERMOS EMOCIONAIS A PESSOA QUE FALECEU E CONTINUAR A VIDA. A ordem das tarefas necessariamente não obedece a sequencia apresentada, no entanto é primordial que o primeiro movimento no processo de luto seja a aceitação da realidade da perda para que se promova efetivamente a aprendizagem de viver com a ausência da pessoa que morreu e com a nova realidade. Hoje será apresentada neste blog a primeira tarefa:
 
ACEITAR A REALIDADE DA PERDA
 
Aceitar a realidade da perda leva tempo, pois envolve a aceitação intelectual e emocional. A pessoa enlutada pode estar intelectualmente consciente da finalidade da perda muito antes que as emoções permitam total aceitação da informação como verdadeira. A realidade da morte, mesmo no caso da morte esperada, está sempre envolta pela sensação de que ela não aconteceu. A primeira tarefa do luto consiste em enfrentar a realidade de que a pessoa está morta, de que a pessoa se foi e não irá voltar. Parte da aceitação da realidade é acreditar que o reencontro é impossível, pelo menos nessa vida. O desapego está diretamente ligado a esta primeira tarefa, as pessoas nessa fase tendem a chamar pela pessoa que morreu, confundi-la com outras pessoas e faz com que processem a realidade da perda e percebam que a pessoa querida morreu e não pode estar naquele ambiente. Estar no limiar da realidade e da fantasia faz parte deste momento de aceitação da realidade. Krupp et al.,1986, esclarece que há momentos em que a pessoa de luto está sob a influência da realidade e aceita que a pessoa que morreu se foi, no entanto, em outras ocasiões ela se comporta de forma irracional, fantasiando um possível reencontro. Ocorre um padrão de comportamento e de emoções, há a raiva pela ausência da pessoa amada, a raiva do próprio self, talvez por se encontrar nessa difícil situação de perda, a raiva pelos causadores da perda e até a raiva por aqueles que acolhem a pessoa enlutada e que a relembram da realidade da perda. Esta primeira tarefa leva tempo para ser completada e devido à subjetividade do processo de luto, não há um tempo estabelecido, porém os rituais como o velório auxiliam muitas pessoas a entrarem no processo de aceitação. Os sobreviventes que não conseguem passar pelo cerimonial de despedida da pessoa querida que morreu, podem necessitar de outros meios para validar a realidade da morte. A aceitação da ausência ganha um espaço confortável a partir do momento que conseguimos introjetar a perda e dar um novo significado a ela. Isso só é possível com a vivência paciente e amorosa do luto.
 
Na próxima postagem falarei da negação da realidade e suas complicações.